É ótimo quando nossos desejos realizam-se. Mesmo que após um esforço árduo, ou por aquela confortável sorte, leve e macia feito um travesseiro.
Limitei-me por algum tempo. Muito tempo atrás.
Mas algo me fez pensar que, talvez, eu estivesse além "daquele" que eu era. Me forcei a acreditar em possibilidades, perder medos.
Apossei-me de novas habilidades, de força física, psicológica, de um equilíbrio entre harmonia e raiva.
Ontem, resolvi que faria um treino simples na chuva e, a princípio, senti aquele receio. Aos poucos, meu corpo se adaptava ao clima, mesmo com a garoa caindo sobre meus ombros, mesmo com as momentâneas brisas geladas, que deslizavam pelos pontos gelados de meu corpo. Conforme a atividade física aumentava, mal eu percebia que a condição psicológica acompanhava junto, destruindo pouco a pouco, todo e qualquer medo ou receio que eu tivesse. O frio já não existiva. Eu suava, e queria mais do controle e de tudo aquilo que o treino podia proporcionar a mim.
E aquelas gotas de chuvas que escorriam sobre meus ombros, tornavam-se as mesmas gotas de suor que escorriam sobre meus braços. Uniam-se, feito ousadia e hesitação. Surgia o ímpeto, fruto do equilíbrio entre estes dois.
Era o ardor do momento, aliviado pelo pingo experiente, que já fora evaporado por muitas vezes.
Não se pode encarar demais, assim como não se dá um passo sem calcular o mínimo.
Pois, com certeza, desistirá. Desistirá, pelo erro de ousar no momento errado, ou pelo medo de tentar.
E movimentei-me por horas, até que a chuva cessasse, e meu corpo estivesse parcialmente fadigado.
Muitos não entendem. E os poucos que entendem, aconselhar-me-iam a aproveitar mais destes fatores.
O que posso dizer?
Me alivia saber que posso tanto. Que posso mais do que lá. Mais do que aquele ínfimo começo.
E que, a tendência, é de alçar vôos cada vez maiores... mesmo que chova.

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