O que estou fazendo aqui?
Sozinho, noite, a praça escura, quase ninguém, apenas algumas vozes. Cãimbras, pernas fracas, braços no limite... força física aparentemente esgotada. Mas algo dentro de mim, quer terminar aquela série de controle. Algo dentro de mim é contra qualquer tipo de derrota. De alguma forma, pareço ter a força que gastei.
Ainda tenho ânimo pra chegar ao outro lado, e terminar como uma corrida.
A última corrida.
Última e gloriosa.
Todos os dias praticamente repito isso. Seja aqui, na praça, ou em qualquer outro lugar.
Ninguém me obriga. Não pago ninguém. Ninguém me paga. Ninguém grita ou implora. Muito menos eu.
Rigorosamente, já levantei cedo, corri na subida, desci na corrida, ergui meu próprio peso, e pesei tudo aquilo que posso ter construído há anos. Pesei e pensei em.
Eu desejo manter. Eu posso manter. Nem é tão complicado.
Mas todos temos ambições. E queremos estar níveis acima ao que desejávamos anteriormente.
O tempo não é desculpa, dor não é desculpa, destino então... nesse mundo, quem chora pensando em destino, ganha uma corda, e um banco bambo. A pessoa sabe o que fazer, e deixa o destino fazer o resto.
Ninguém pode ser fraco. Um sinal de fraqueza, é um sinal de "treine mais".
E eu me lembro. Eu sei o que faço aqui.
Meus braços, parcialmente recuperados. Minhas pernas um pouco menos tensas.
Um reset na mente, e não tou olhando pro nada. Agora, eu tenho foco.
E meu foco, é uma visão afiada. Levanto, e recomeço de onde eu parei...
... até as pernas cansarem, os braços esgotarem, e eu me sentir completamente vivo.


