Voltando

É incrível a maneira como, após superar diversos tipos de obstáculos - físicos e mentais -, quando retorna-se ao fluxo (lento), se é sugado de uma maneira surpreendente, obrigando-nos a retomarmos nosso antigo ritmo.
O ciclo da vida torna-se apenas um mito, e experiências ficam intensas como um vortex, que puxa tudo à sua volta, para dentro de si.

E é o que desejo. Quero experiências.
Quero puxá-las a mim, assim como me puxam à elas.
Assim como ferem, sabendo que serão conquistadas, mas nem sempre compreendidas.

A dor, passa. O sangue, reponho. A pele, cicatriza.
Chances são únicas. Oportunidades são únicas.
Outras coisas esvaem-se para nunca mais retornarem. São os momentos que deixamos passar, que temos medo de experienciar.

É uma lástima. Eu percebo que cada vez mais, estou longe de atingir meu limite. E em parte, fico feliz.
Fico feliz em saber que meu "máximo", não se resume à uma derrota. Que meu desejo, e minha ambição são prioridades.



Dimensões diferentes num mesmo cenário. Soa interessante, não?
Bom é saber que, apesar do solo ser pisado todos os dias, os passos são dados de maneiras diferentes.
Assim como transformar um habitat tedioso/repetitivo em outra dimensão, estando no mesmo lugar. A criatividade expira nesses momentos.

É relativo? É.
Mas quanto a questão de ser algo COMPLETAMENTE pessoal, não. A capacidade é a mesma.
Depende do quanto se esforça pra não cair no tédio, nem se conformar. Depende, o quanto se está disposto a viver de derrotas automáticas.

"E é do que muitas pessoas vivem e morrem;
Sem mente liberta, uma porta se fecha.
Pra cada sonho, abre-se uma brecha,
e repara-se que tal porta,
sempre esteve aberta."



Brutalidade

Ex3:44 AM.
Estou de "férias". Uma semana e meia, livre.
Poderia estar dormindo, e só acordar as 13:00 horas. Poderia ficar a essa hora jogando conversa fora, com meus contatos embriagados - de sono e, talvez, álcool - e perder a madrugada com conversas que seriam lembradas posteriormente como pretexto pra outra conversa pós-tédio. Enfim, irrelevante. Prolixo.



3:46 AM
O que realmente importa, é a queimação que sinto em minhas panturrilhas, canelas, e braços; a dor que sinto em meu abdômen. Soa como uma surra.
E realmente. Uma bela de uma surra. Uma surra no que é cômodo.
Me sinto vivo. Eu consigo sorrir, aumento o som em meus fones, e parto pra mais uma série de 20 barras com os braços abertos, pra seguir com mais 35 abdominais suspenso na barra, segurando uma mochila cheia de livros contra meu peito.


3:53 AM
Termino. Exausto. Tudo queima. É meu corpo mostrando que ainda vive.
Mas não paro. 30 agachamentos com um botijão de gás vazio nos trapézios. 4 séries de 30 fortalecimento pra panturrilha e canela. 30 panturrilha; começa a beliscar. 30 canela; começa a arder. Mais 30 panturrilha; começa  a queimar. 30 canela; começa a travar. 30 panturrilha; queima. 30 canela; dificuldade pra erguer os dedos em direção ao tornozelo. Finalmente, 30 panturrilha; ardência e dificuldade na 25, mas eu consigo terminar. Últimas 30 de canela; ardência na 15ª, eu suporto. Dificuldade na 20ª, eu mantenho. Mesmo não erguendo ao máximo, pois, minha canela trava, eu forço até a 27ª. 10 segundos pra relaxar, e faço mais 6, pra compensar as últimas 3, que foram ruins.

4:00 AM
Finalizo com um pouco de barras, e abdominais.
Parto pro descanso. Bebo água. Meço a glicemia. Tá boa, mas se quero treinar mais, e ficar vivo, vou ter que ingerir açúcar. Um porre. Não quero comer nada.
Metade de café, metade de chocolate, 1 colher de açúcar. Tomo com leite. Meu estômago pesa.
Alguns minutos descansando, enquanto escrevo esse post.

4:05 AM
Estômago pesando menos, descansado, hora de mais barras, abdominais e agachamentos.
Começo a perder força na 17ª barra. Cada vez mais fraco, tento alcançar a 25ª. Na 22ª eu sinto que não vai dar. Sem soltar, fico na posição inicial, subo com explosão, e desço devagar. Coloquei minha força nessas 3 últimas.
Fiz os abdominais sem o peso adicional, pois, estava sem força nos braços pra segurar a mochila. Aumentei pra 60. Cumpri, me esforçando a partir do 35º. Zonzo, no 50º, me sentia sem ar. Forcei até o 55º e parei pra respirar. O abdômen queimava, mesmo em posição de repouso. Forcei 10, pra compensar os 5 malfeitos.

4:12 AM
Tomou mais tempo do que eu esperava.
Sentindo as pernas ainda queimando, tirei o peso adicional do botijão de gás e aumentei 1/3 das repetições. Completei os agachamentos sem travar, apenas sentindo a queimação.
Mas a história foi outra para as panturrilhas e canelas. Comecei fazendo 25 de cada.
Canela, com dificuldade, falhei na 20ª. Repouso, paguei as 10, e compensei com mais 10. Falhei na quinta.
Descansei 2 minutos e recomecei. 25 completas, com um pouco de dificuldade. Dói.


4:23 AM
Termino as séries.
Descanso.

4:29 AM
Passam algumas dores. Apenas as canelas queimam.
Braços não pesam mais, abdômen não dói, apenas pernas cansadas.
O resultado foi bom. Considero 6 de 10.


E você me pergunta: "...pra quê isso?"
Viva como eu vivo. Sinta como eu sinto. Fracasse como eu fracassei. Sofra como eu sofri.
Você vai entender. Não é a dor, nem o sucesso.
Mas entender que, mesmo mais fraco, a mente continua forte.
Não é a sede de alcançar o sucesso. Não é o vício em endorfina.

É se preparar. É manter a situação sempre ao teu alcance.
Nada precisa ser bonito, quando se é útil.
Uma furadeira faz muito barulho, e não tem um aspecto de bichinho de pelúcia. Mas temos uma em casa, pois, precisamos delas.
Suportar a dor, fortalecer-se, aumentar limites, e fazer a tua mente captar tudo isso. O preço cobrado pode ser completamente inferior ao valor real. Mas a ambição é sempre maior, e acaba com muitos valores.

Apenas por causa da dor.

Eu me preparo. Me preparo pra diminuir os fracassos. Pra diminuir a dor. Pra não senti-la, se possível.
E você? Como você se prepara?

Sonhando e Doendo

"Dreams are still alive
They don’t ever die
Close your eyes and imagine it right now
We got to keep dreaming we giving life meaning
Staying clear of the lies

Pela primeira vez, num dia destes, senti o ímpeto rugir forte no meu peito. Era hora de mudança. Era hora de sair daquilo que me prendia ao que chamo de rotina.
Como eu não havia percebido? O que eu amava, o que tinha feito eu mudar drasticamente, o que me tornara uma nova pessoa... virando rotina.
Me sentia parado. Talvez infeliz. E não sabia o porquê. O motivo na minha frente.
Algo tinha um cheiro diferente, um som diferente. E eu me perguntava todos os dias o porque de um vazio, mesmo eu fazendo o que tanto gostava.

Eis que, como citei no início, o ímpeto rugiu. Estava sentado, de cabeça baixa, pensando.
Diversos nós em minha mente, pensamentos, idéias e conflitos. Tudo cessou.
Não havia som, não havia imagem. E eu me ouvi no pensamento: "É isso que você quer?".

Levantei. E disse: "Tou indo agora. Não me importo com horário. Se quiser ir junto, bora. Senão, volta pra tua casa, e vai pro teu rolê."
Eu me via na figura esguia, perdida, levantando hesitante. Logo em seguida, um fio de esperança. E os olhos, atentos.

Poderia ter ficado o resto do dia ali, sentado. Poderia ter levantado, e ido pra casa. Mas nada disso iria curar meu estado miserável.

Um novo lugar. Idéias novas, vazios pra preencher, medos a perder. 
A experiência é recente, e vai suscitar muitas idéias para os próximos posts. No entanto, talvez só conclua de uma maneira mais completa, no ultimo post.
Idéias e sonhos têm tendências diferentes. Mas é o que desejo para os próximos tempos.
Mesmo cinzenta, a visão panorâmica é bonita.
Mesmo de aspecto abandonado, os ângulos tornam o local diferente.
E mesmo eu tendo me preparado pra diversas situações, me sinto desafiado a criar, e agir no local.

E é exatamente o que vou fazer. Ali, pra cada esforço, pra cada machucado, a perseverança vai arder em cada um dos meus calos.
Meus sonhos e idéias, não morrerão. E serão tão reais, quanto o muro que rasga minhas mãos, e os espinhos da pequena árvore que arranhou minhas costas.

[Pretendo colocar a foto do local. Mas ainda não tive a oportunidade de tirá-la.]

Quando você se move...

Um passo muda tudo.

Um passo em direção ao que é novo.
Um passo a desafiar, sem escudo.
Um passo desequilibra na corda bamba,

Vale tanto o esforço?
Quanto pagam ao colosso,
pra te prender num calabouço.
Não paro. Mudo tudo num passo.

Sem fim, em mim
Cada passo,
num ritmo, como numa dança
compasso.

O coração acelera,
a respiração altera,
eu continuo, eu corro
dói, sangra, não peço socorro.

E pra quê?
Qual a finalidade?
Se, em tudo aquilo que se crê,
Expira com o passar da idade,

Que passa, e passa o tempo
A cada passo, cada compasso
Te fortalece, você cresce
Tempo perdido? Sofrido?

É o que dizem, mas

Pra cada passo que dariam,
Estão berrando, gritando, chorando,
Pra cada tempo que ganhariam,
Passam lamuriando, temendo, sofrendo...

... e um passo, tudo teria mudado.
Lágrimas não teriam derramado,
O choro seria cessado,
Esquecido com o passado.

Pra cada passo,
Um valor atribuído,
Um movimento impelido,
Um desafio vencido.

E o tempo passa,
pra cada passo, passado,
Tudo fica mais complicado
quando quem se mexe, vira caça.

Paralisado de medo, um passo resolve.
Fumaça te prende, um passo dispersa.
Veneno acumula, um passo dissolve.
Acelere o passo, caminhe com pressa.

Nem o mundo pára de girar,
Por que você pára de caminhar?
Se nem os animais livres têm motivos pra parar,
por que você hesita ao caminhar?

Pregos, sem generalizar.

Tudo faz parte de um espetáculo. (Más)caras tristes e animadas.
Neste momento, sou espectador. Nada sei. Qualquer tentativa de contato, é frustrada com um choro alto, de medo. As mãos se voltam, e tentam mostrar o que se passa.
Rostos sem máscaras, narram histórias, criam idiomas. Tudo se desenvolve.
Agora, somos parte da história.

Algumas máscaras caem. Outras, surgem.
Começa a minha.
Rostos sem máscaras, com expressões que variam em tempo real. Estes, são os que me ensinam e guiam.
Mostram parte do script, palpitam, riem, e contam diversos finais alternativos.

Surgem os rostos com máscaras. Tristes e sorridentes. Mentirosos e falsos mártires.

Oferecem-se para pintar uma máscara nova. Máscara, que seria a minha.
Recuso. Viram as costas, vociferam maldições.

E eu fico só. Só, por muito tempo.
Só, por tempo suficiente. Só, um tempo.
Tempo aquele, que parece eterno, já que, não há data específica para o fim.
O tempo passa. Algo novo se aproxima...

Um ser que anda corcunda, e corre manco, sussurra:

 - "Psiu! As máscaras são artifícios. As máscaras são uma sociedade. As máscaras tornam-te anônimo.
Sem máscaras, eles te vêem. Não querem o único. Eles querem todos iguais."
 
E parte, como veio. Corcunda, e mancando numa velocidade acima do normal.
Outro, voando torto (asa direita, perfeita. Esquerda; defeituosa, reconstruída a partir de arames), um sorriso quebrado, e com o olho direito costurado, sugere:

- "Pois sim! Máscaras são necessárias.Você não precisa ser uma máscara. Ela apenas cobre teu rosto, tira as tuas expressões. Mas o que vai cobrir o que há na tua mente? O que vai esconder o teu coração?
Deixe que o mundo gire, mas você não é obrigado a andar por aí, dando piruetas e saltos mortais...
 
Eis que surge um acrobata, e indignado, interrompe o pequeno anjo com asa de cobre:
 
- "Piruetas e saltos mortais não são comuns como máscaras, torpe. Uma sociedade impele-te a ficar com os pés no chão, cria contos sobre um tal de "impossível", e amaldiçoam a todos aqueles que são capazes de libertarem-se da gravidade e do medo imposto."

Por mais exagerado que fosse, o acrobata tinha razão. O pequeno voador tentou explicar:

- "Acrobata, não foi uma comparação direta com o fator comum x único. Apenas evidenciei que, apesar da sociedade andar num certo ritmo, você não precisa acompanhá-los."
 
- "Compreendo. Mas imagine se eu, numa comparação estética, usasse o vôo como um exemplo banal. Com certeza, você ficaria ofendido, certo?" - Respondeu o acrobata.

O pequeno assentiu com a cabeça.
Contudo, ambos continuaram a discussão. Discussão aquela, que levou mais algum tempo.
 
E eu já estava esvaindo para outro cenário, levemente, lentamente...