Advém, Sofrimento.

5 minutos. Acordar cedo, não dormir, fome, cansaço.
Tudo relativo.
Mas sabe? Cansei desse conceito de "relativo".
O que é relativo, também é usado como desculpa. É como calça de palhaço; serve pra fazer graça, mas não serve em ninguém.

As pessoas; alguns vivem de emoção, choram, emocionam-se, choram de novo. Até entendo. Acho válido.
Mas uma coisa que não tolero, é a pessoa querer estampar no teu rosto que ela está sofrendo. Te obrigar a sentir pena, a chorar junto, e dizer palavras suaves feito travesseiro de pluma de ganso.
É aceitável, num breve momento, sentir pena. Sentir pena, como instinto. Sentir pena automaticamente.
Mas pena fingida, choro chorado por chorar, e tudo falso? Uma sociedade tolerante, fingindo humildade?
Povo cosmopolitano hipócrita, que abraça velhos conceitos moralistas, e ainda chora? Pára!
É isso que chamam de evolução? De revolução?
Nossos rebeldes sem causa, perdidos num mundo liberalista? Ah, não!

E as pessoas ainda falam de sofrimento, como se abraçassem causas. Como se fossem embaixadores da ONU.
"Você não tem coração?"
Não. Eu ironizo a tristeza. Eu dou risada da minha condição deplorável. Mas JAMAIS perco a postura diante da miséria. Jamais vou derramar uma lágrima perante à desgraça.
Pois, que soldado chora quando mata um homem?
Ninguém chora, mesmo cometendo os piores atos.
"Mas eles não sofrem."
Não, colega?
Pra quê o soldado mata? Foi obrigado por um líder que sequer dá as caras no campo de batalha.
O soldado pode ter família, filhos, mãe e uma mulher pra sustentar. Mas ele tem que matar, pois, alguém tem que matar pelo líder.
A diferença, é como você leva isso adiante. Você vai chorar toda vez que tocar a mesma música?
Que subir as mesmas escadas?
Chorar eternamente por algo, ou alguém, que sequer se importa com a tua mera existência?

Não.

Não leva a nada. Sofrimento é pra se transformar em cicatriz.
A cicatriz dói tanto quanto uma pancada a seco em pele saudável.
"Não explica nada. Eu sofro, eu choro."
Ah, sim. Nem tudo que advém de sofrimento é desgraça.
Você nasceu de sangue e dor, mas muitas pessoas sorriram por ti e pela tua mãe. Ninguém ficou lamentando pelo sangue e dor. Ninguém ficou: "Coitada... teve um bebê. Quanto sofrimento! Ó, céus!"
Sua mãe sofreu, e você saiu chorando.

Eu ainda tento explicar. Eu ainda tento raciocinar, ligar razão à um mínimo de emoção. Mas as pessoas sofrem pelo que é abstrato. Não têm palavras pra explicar, mas têm lágrimas pra derramar.

Então, penso eu;
"Será eu que não sei viver, ou os outros, que vivem em prol de se lamentar?"

Tornado

Após algum tempo de aventuras, novidades, dias novos, novas experiências, fui forçado a parar.
Uma corrente enferrujada, uma engrenagem acabada.
Forçado a me analisar. Era hora de parar a máquina corpo. Hora de polir as peças, de revisar tudo. Fruto de muito esforço, algumas cicatrizes nunca somem, porém, são algumas que nos fazem fraquejar; que nos fazem rastejar perante ao imprevisto. Dores já sentidas uma vez, que já não fazem tanto efeito; mas que ainda dóem.
Um tempo parado. Eu via o sol sorrindo, os pássaros voando, a inspiração e a liberdade brincando... e eu, atrás daquela janela, atrás daquelas grades, enferrujado.

Comecei a cuidar da máquina. Mantinha, trabalhava, reconstruía, e reanalisava.
Fortalecia a velha corrente. Reconstruía boa engrenagem. E, pouco a pouco, via resultados.
Disposição voltando, e eu sentia-me impelido a testar o básico. A relembrar do momentos de conquista, a rever técnicas, e por fim, testar a força que o tempo me presenteou.



                                                                                                               Foi leve. Só um susto.
Olha-se pra frente,
recomeça-se.