Duas pessoas que fazem o dia render

Costuro os segundos,
ministro a dose de minutos,
construo horas,
Sou presidente de um dia.

Aqui, posso falhar,
posso testar,
posso pensar,
posso descansar.

Pernas, braços;
velocidade e força,
pra agir em cada ato,
pra concluir cada coisa.

Pensar, faz o dia seguinte andar.
Agir, faz o dia presente surgir.

Gente parada,
Nada dá em nada.
Vê-se um ano passar,
e você tá correndo no mesmo lugar.

Qual é a sua luta?
Pra que você vive?
Beijo em final de labuta,
ou migalha de ourive?

Cego, parvo, olha a sua volta:
"Quanta gente idiota!".
Você diz, 
Mas tá devendo pra amigo agiota.

Tropeçar nas pedras,
cair em espinhos,
rolar sobre cobras,
se perder em vários
caminhos.

O que vale?

Tempo planejado,
vulgo desperdiçado?
Ou agir constantemente,
todo errado?

Vivo o fluxo,
sigo contra-fluxo,
sangue corre sem luxo,
de meu coração, ainda escuto,
o pulso.

Rosto estragado,
de quem acorda cedo
demais,
iludido,
ferrado,
almejando a paz.

Não se desiste,
na vida se insiste,
mesmo que a liberdade,
seja vendida por maldade.

Aqui

O avesso ao que criam, vive sendo o menos conivente possível com tendências que plastificam.
Segue-se numa estrada repleta de pedras, picaretas, e torpes, com propósitos tão inúteis. Poucos visam a utilidade, a maneira mais rápida e coerente. A maneira menos cômoda, porém, eficiente.
O enigma que parece fácil. Mas sem propósito, nunca será desvendado.

Ver o erro dos que tropeçam, e identificar cada pedregulho.
Agir e pensar, mas nunca deixar o impulso levar a vida.


E disso, tiro minha essência.
Áspera e urbana. Calma e natural.
Aguçando o instinto, camuflado entre multidões.

Coisas que eu não contei

4:30, tudo escuro, tudo quieto.
Cortando o silêncio, berra o despertador
e eu, desperto.
Atento, um pouco sonolento,
Levanto e me preparo,
O café, esquento;
E o frio, encaro.

É uma quarta-feira,
fria, escura, preparando-se para nascer.
Resto da noite, dá forças à sombra que se esgueira,
E o dia, ânimo, ao que deseja se fortalecer.

A porta abro. O vento corta meu rosto,
Como quem ameaça:
- Mais um passo para fora, e teus dedos tornam-se frios como o de um morto!
Ignoro. É a vida de quem vive na raça.
De quem passa, transpassa,
Corre, salta, e nunca morre.

Mas não é esse meu foco.


Corro. 30 minutos até o destino.
De escura, a visão torna-se azul. 
O vento vai ficando fino,
O dia vai correndo, e a liberdade flui.

Chego.

Lá, o silêncio, pouco a pouco, se esvai.
Algumas pessoas correndo,
Alguns carros se movendo,
Ofegante, ar entra, ar sai.


No pequeno labirinto,
executo alguns movimentos,
Enquanto, 
livro-me da extensa corrente,
Acompanhada de sua bola de ferro.

Um raio de luz quase me cega,
O sol nascendo, e minha alma sossega.
É dia. 6:30 da manhã.
O dia começa., a responsabilidade me pega

Volto para casa, me preparo.
É, mais um dia de trabalho.
Torno disso um hábito,
E o dia passa mais rápido.

Pessoas que sumiram,
pessoas que se foram.
Desde o inicio avisei,
Que corro atrás do que sempre sonhei.

Liberdade, paz
Por isso, nem ligo.
Deixo tudo pra trás.
E sigo.