Coragem por Oxigênio

Momento da verdade. Agora, ou daqui muito tempo.
O que você faz?
Medita? Reza? Ora? Grita? Pára pra pensar? Ensaia?

Aprendi que, em muitos momentos de pressão, não teremos tempo pra dizer a razão para controlar a emoção.
E então, ou você desiste, ou você falha.
Ninguém te espera pensar muito, pra dizer "sim" ou "não". O penhasco que se quebra não espera você decidir se pula, ou corre. A bala não pára no trajeto, para você escolher se devia pra esquerdar, ou pra direita.

É onde quero chegar.
Recentemente, descobri algo que me incomoda num momento de pressão. É redondo feito uma esfera, pesa um pouco, deve ter cor branca, ser tão espessa quanto névoa, e se aloja no centro do meu peito.
E aquilo me dá receio, me dá medo. Faz com que eu retroceda, ou fique paralisado.
Se eu parar pra analisar, pra me decidir, isso vai tomar muito tempo, e hesitarei.

Então, resolvi, descobri.
Respiração. Pois, sim! Respiração!
Não se troca oxigênio por dióxido de carbono?
Pois bem! Troquemos respiração, por coragem. Do teu nariz, até teus pulmões. É a coragem que você inala. Que dissipa a esfera!
Encaro com firmeza, inspiro; enquanto o oxigênio entra, imagino a situação acontecendo mil vezes. Expiro; a esfera redonda sai junto ao dióxido de carbono.
Assim, retomo minha coragem, e executo sem hesitar. Mesmo que eu erre, sei contornar a situação, e raramente me machuco.

Contudo, porém, todavia, é algo pessoal, e nem sempre pode dar certo.
De qualquer maneira, agora é algo indispensável em minha vida.
Por mais que a esfera torne-se cada vez maior, meu corpo se adapta. E se expande.

Não há muito tempo. Ou você desiste na hora, ou tenta.
Não se perde tempo para desistir.
Não se desiste, quando se tem tempo.

La calle solitaria & El tiempo de los sueños

O que é o infinito pra quem sonha? 1 minuto pra quem sonha?

Me dei conta que, sonhar, é viver em outra dimensão. É como viver numa fábula. É ler o livro de contos, em que um conto se passa num mundo de dragões, e outro, num era pós-moderna, com carros que voam e pessoas que plantam árvores.

Mas, você pode dormir por 8 horas, e estar numa dimensão em que o tempo passa muito rápido, acordando assim, como se tivesse dormido por 10 segundos.
E aquele cochilo de 30 minutos, que parece eterno. Aquele sonho que não acaba.
Pesadelos também fazem parte. Eu já não acordo mais de pesadelos. Talvez, por questão de querer resolver todos meus impasses, meu eu-outra-dimensão, espelhou-se naquilo que sou.
E não acordo mais de pesadelos, por piores que eles sejam.

É o cara bizarro batendo com uma marreta na minha porta, e eu luto. Mesmo fadado ao fracasso, caído após uma luta, e ainda consciente, parece que nem sinto dor. Mas sangro. E mesmo caído e sangrando, ainda assisto a tudo. Já não faço parte do pesadelo, mas ainda estou ali, assistindo a cada quadro do que é falhar em outra dimensão.

E tem os sonhos universais. Conquistas que já conquistamos. Conquistas que ainda não conquistamos, mas é aquele sonho que nos inspira a lutar por elas. Sonhos possíveis, mas que o medo nos barra.
Funciona aqui, e lá.

Minha mente tem um vale.
O vale na minha mente. Vale que eu corro, tenho belas visões, quero explorar todos os cantos possíveis ("todos"; o que é praticamente impossível, pois, aparentemente, minha mente é infinita).
Rochedos, florestas, praias, ilhas desertas, desertos, cidades perdidas.
Não há perigos. Eu faço tudo. Eu aprendo, sem medo. Eu não me machuco. E se me machuco, tento de novo.


O melhor sonho, é aquele que não tem pessoas. É a solitude, caminhando na cidade solitária, pelas ruas silencioas.

Repetidos sonhos com aquele Vale, e com aquela cidade e suas ruas.  

Mas a cidade é a mais curiosa, pois, ali o tempo não passa. E tenho liberdade.
Ruas vazias, ladeiras de ladrilhos. Quando chove ali, as gotas parecem lágrimas. Tudo fica cinza.
Mas não é feio, nem triste.
É um cinza que inspira a pensar. Refletir. Olhar pra cada canto, e ver um detalhe monocromático.
Nostálgico. Confesso.
Transfiro-me.

E vejo montanhas, nuvens brancas em formatos a la déjà vu, céu azul. Escalo, sem hesitar. Por mais alto que seja, tenho vontade de explorar.
O Vale me revela que, atrás daquela montanha, há um penhasco. Um penhasco que me permite enxergar toda amplitude de um oceano vazio, porém, profundo.
E a circunferência da Terra, que não é a Terra.
Aquele monte d'água, implora por uma quebra de rotina. Por um beijo na calmaria, por um caos de poucos segundos.

Na verdade, justifico minha vontade. Vontade de ser engolido por aquele vasto azul.

A vontade de mergulhar grita, incessantemente. Meu coração bate mais forte. 30 segundos encarando, e tudo vai ficando mais intenso.
Um silêncio
Respiro fundo, e corro. Um salto. Meu corpo se molda á velocidade e ao vento.
Pouco a pouco, a visão vai se transformando.
O azul do céu, e o branco das nuvens, sobe. Sobe, também, o azul do mar, que toma completamente o lugar do céu.
Sinto o vento contornar meu corpo cada vez mais forte. E tudo vai ficando mais rápido.
A ponta de meu dedo médio, toca o mar...

...e eu, subitamente, acordo.
5:30. O dia começa na outra dimensão.
Bom dia.

É. Acho que voltou.

Sei lá, tanto tempo.
Eu só pensava em aprimorar meu talento, só.
Mas dessa vez, é diferente. Não me sinto ansioso, e quero. Mas não anseio por.
Queria mergulhar de cabeça, mas mal te conheço.
Criado pela razão, mente de quem pensa.
Enquanto vejo-te, desapareço.
Nada sobra, nada consta.
Constantemente.

E qual é o plano do que age? E qual é o plano do que se ilude?
E fico confuso. Sim,é algo que se divide.
Eu me divido.
Constantemente.

Eu quero. Com todas as palavras, direitos, ações, razões, deveres, e toques. Principalmente eles.
Tudo constante. É sempre a mesma música. E eu não enjoo.
Mas eu quero conhecer. Eu quero saber. Quero uma queda, seja ela real, ou ilusória.

Todos os dias.
Constante.

Tá?