La calle solitaria & El tiempo de los sueños

O que é o infinito pra quem sonha? 1 minuto pra quem sonha?

Me dei conta que, sonhar, é viver em outra dimensão. É como viver numa fábula. É ler o livro de contos, em que um conto se passa num mundo de dragões, e outro, num era pós-moderna, com carros que voam e pessoas que plantam árvores.

Mas, você pode dormir por 8 horas, e estar numa dimensão em que o tempo passa muito rápido, acordando assim, como se tivesse dormido por 10 segundos.
E aquele cochilo de 30 minutos, que parece eterno. Aquele sonho que não acaba.
Pesadelos também fazem parte. Eu já não acordo mais de pesadelos. Talvez, por questão de querer resolver todos meus impasses, meu eu-outra-dimensão, espelhou-se naquilo que sou.
E não acordo mais de pesadelos, por piores que eles sejam.

É o cara bizarro batendo com uma marreta na minha porta, e eu luto. Mesmo fadado ao fracasso, caído após uma luta, e ainda consciente, parece que nem sinto dor. Mas sangro. E mesmo caído e sangrando, ainda assisto a tudo. Já não faço parte do pesadelo, mas ainda estou ali, assistindo a cada quadro do que é falhar em outra dimensão.

E tem os sonhos universais. Conquistas que já conquistamos. Conquistas que ainda não conquistamos, mas é aquele sonho que nos inspira a lutar por elas. Sonhos possíveis, mas que o medo nos barra.
Funciona aqui, e lá.

Minha mente tem um vale.
O vale na minha mente. Vale que eu corro, tenho belas visões, quero explorar todos os cantos possíveis ("todos"; o que é praticamente impossível, pois, aparentemente, minha mente é infinita).
Rochedos, florestas, praias, ilhas desertas, desertos, cidades perdidas.
Não há perigos. Eu faço tudo. Eu aprendo, sem medo. Eu não me machuco. E se me machuco, tento de novo.


O melhor sonho, é aquele que não tem pessoas. É a solitude, caminhando na cidade solitária, pelas ruas silencioas.

Repetidos sonhos com aquele Vale, e com aquela cidade e suas ruas.  

Mas a cidade é a mais curiosa, pois, ali o tempo não passa. E tenho liberdade.
Ruas vazias, ladeiras de ladrilhos. Quando chove ali, as gotas parecem lágrimas. Tudo fica cinza.
Mas não é feio, nem triste.
É um cinza que inspira a pensar. Refletir. Olhar pra cada canto, e ver um detalhe monocromático.
Nostálgico. Confesso.
Transfiro-me.

E vejo montanhas, nuvens brancas em formatos a la déjà vu, céu azul. Escalo, sem hesitar. Por mais alto que seja, tenho vontade de explorar.
O Vale me revela que, atrás daquela montanha, há um penhasco. Um penhasco que me permite enxergar toda amplitude de um oceano vazio, porém, profundo.
E a circunferência da Terra, que não é a Terra.
Aquele monte d'água, implora por uma quebra de rotina. Por um beijo na calmaria, por um caos de poucos segundos.

Na verdade, justifico minha vontade. Vontade de ser engolido por aquele vasto azul.

A vontade de mergulhar grita, incessantemente. Meu coração bate mais forte. 30 segundos encarando, e tudo vai ficando mais intenso.
Um silêncio
Respiro fundo, e corro. Um salto. Meu corpo se molda á velocidade e ao vento.
Pouco a pouco, a visão vai se transformando.
O azul do céu, e o branco das nuvens, sobe. Sobe, também, o azul do mar, que toma completamente o lugar do céu.
Sinto o vento contornar meu corpo cada vez mais forte. E tudo vai ficando mais rápido.
A ponta de meu dedo médio, toca o mar...

...e eu, subitamente, acordo.
5:30. O dia começa na outra dimensão.
Bom dia.

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