Pregos, sem generalizar.

Tudo faz parte de um espetáculo. (Más)caras tristes e animadas.
Neste momento, sou espectador. Nada sei. Qualquer tentativa de contato, é frustrada com um choro alto, de medo. As mãos se voltam, e tentam mostrar o que se passa.
Rostos sem máscaras, narram histórias, criam idiomas. Tudo se desenvolve.
Agora, somos parte da história.

Algumas máscaras caem. Outras, surgem.
Começa a minha.
Rostos sem máscaras, com expressões que variam em tempo real. Estes, são os que me ensinam e guiam.
Mostram parte do script, palpitam, riem, e contam diversos finais alternativos.

Surgem os rostos com máscaras. Tristes e sorridentes. Mentirosos e falsos mártires.

Oferecem-se para pintar uma máscara nova. Máscara, que seria a minha.
Recuso. Viram as costas, vociferam maldições.

E eu fico só. Só, por muito tempo.
Só, por tempo suficiente. Só, um tempo.
Tempo aquele, que parece eterno, já que, não há data específica para o fim.
O tempo passa. Algo novo se aproxima...

Um ser que anda corcunda, e corre manco, sussurra:

 - "Psiu! As máscaras são artifícios. As máscaras são uma sociedade. As máscaras tornam-te anônimo.
Sem máscaras, eles te vêem. Não querem o único. Eles querem todos iguais."
 
E parte, como veio. Corcunda, e mancando numa velocidade acima do normal.
Outro, voando torto (asa direita, perfeita. Esquerda; defeituosa, reconstruída a partir de arames), um sorriso quebrado, e com o olho direito costurado, sugere:

- "Pois sim! Máscaras são necessárias.Você não precisa ser uma máscara. Ela apenas cobre teu rosto, tira as tuas expressões. Mas o que vai cobrir o que há na tua mente? O que vai esconder o teu coração?
Deixe que o mundo gire, mas você não é obrigado a andar por aí, dando piruetas e saltos mortais...
 
Eis que surge um acrobata, e indignado, interrompe o pequeno anjo com asa de cobre:
 
- "Piruetas e saltos mortais não são comuns como máscaras, torpe. Uma sociedade impele-te a ficar com os pés no chão, cria contos sobre um tal de "impossível", e amaldiçoam a todos aqueles que são capazes de libertarem-se da gravidade e do medo imposto."

Por mais exagerado que fosse, o acrobata tinha razão. O pequeno voador tentou explicar:

- "Acrobata, não foi uma comparação direta com o fator comum x único. Apenas evidenciei que, apesar da sociedade andar num certo ritmo, você não precisa acompanhá-los."
 
- "Compreendo. Mas imagine se eu, numa comparação estética, usasse o vôo como um exemplo banal. Com certeza, você ficaria ofendido, certo?" - Respondeu o acrobata.

O pequeno assentiu com a cabeça.
Contudo, ambos continuaram a discussão. Discussão aquela, que levou mais algum tempo.
 
E eu já estava esvaindo para outro cenário, levemente, lentamente...



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