4:30, tudo escuro, tudo quieto.
Cortando o silêncio, berra o despertador
e eu, desperto.
Atento, um pouco sonolento,
Levanto e me preparo,
O café, esquento;
E o frio, encaro.
É uma quarta-feira,
fria, escura, preparando-se para nascer.
Resto da noite, dá forças à sombra que se esgueira,
E o dia, ânimo, ao que deseja se fortalecer.
A porta abro. O vento corta meu rosto,
Como quem ameaça:
- Mais um passo para fora, e teus dedos tornam-se frios como o de um morto!
Ignoro. É a vida de quem vive na raça.
De quem passa, transpassa,
Corre, salta, e nunca morre.
Mas não é esse meu foco.
Corro. 30 minutos até o destino.
De escura, a visão torna-se azul.
O vento vai ficando fino,
O dia vai correndo, e a liberdade flui.
Chego.
Lá, o silêncio, pouco a pouco, se esvai.
Algumas pessoas correndo,
Alguns carros se movendo,
Ofegante, ar entra, ar sai.
No pequeno labirinto,
executo alguns movimentos,
Enquanto,
livro-me da extensa corrente,
Acompanhada de sua bola de ferro.
Um raio de luz quase me cega,
O sol nascendo, e minha alma sossega.
É dia. 6:30 da manhã.
O dia começa., a responsabilidade me pega
Volto para casa, me preparo.
É, mais um dia de trabalho.
Torno disso um hábito,
Pessoas que sumiram,
pessoas que se foram.
Desde o inicio avisei,
Que corro atrás do que sempre sonhei.
Liberdade, paz
Por isso, nem ligo.
Deixo tudo pra trás.
E sigo.

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