Costuro os segundos,
ministro a dose de minutos,
construo horas,
Sou presidente de um dia.
Aqui, posso falhar,
posso testar,
posso pensar,
posso descansar.
Pernas, braços;
velocidade e força,
pra agir em cada ato,
pra concluir cada coisa.
Pensar, faz o dia seguinte andar.
Agir, faz o dia presente surgir.
Gente parada,
Nada dá em nada.
Vê-se um ano passar,
e você tá correndo no mesmo lugar.
Qual é a sua luta?
Pra que você vive?
Beijo em final de labuta,
Beijo em final de labuta,
ou migalha de ourive?
Cego, parvo, olha a sua volta:
"Quanta gente idiota!".
Você diz,
Mas tá devendo pra amigo agiota.
Tropeçar nas pedras,
cair em espinhos,
rolar sobre cobras,
se perder em vários
caminhos.
O que vale?
Tempo planejado,
vulgo desperdiçado?
Ou agir constantemente,
todo errado?
Vivo o fluxo,
sigo contra-fluxo,
sangue corre sem luxo,
de meu coração, ainda escuto,
o pulso.
Rosto estragado,
de quem acorda cedo
demais,
iludido,
ferrado,
almejando a paz.
Não se desiste,
na vida se insiste,
mesmo que a liberdade,
seja vendida por maldade.
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