Tê-tempo

Tenho perdido meus interesses. Tenho apenas pensado em me bastar. Em me preencher.
Muitas das coisas que quis, que almejei, planejei e não consegui conquistar por desistência/incompetência, hoje, não me fazem muita diferença. Não faz mais sentido.
Eu tenho levado tudo de uma maneira tão condicionada á rotina. Tão automática.

Perdi minha vontade de explorar. Perdi muita vontade de chegar á limites.

Acho que é em detrimento á alguns choques de realidade. De como o tempo tem passado pra mim.
Batidas fortes em meu ouvido. Algumas, nostálgicas. O vento, o cheiro, o céu, a chuva, o sol e sons.
O passado se torna uma raiz tão forte, mas tão forte que, mesmo com o tempo passando de maneira acelerada, se aprofunda brutalmente.
Lembro de dias inesquecíveis. De cada cenário, cada ação, cada palavra. Das pessoas com quem convivi: de 15 minutos conversando até amigos de longas datas.
Claro que não posso dizer que minha vida é completamente feita apenas de conquistas. Nada mais óbvio.
Acontece que, o pouco que me fez falhar, ergueu-me à vitorias incomensuráveis.

É diferente, quando sua guarda se abre pela primeira vez para tapas.
Numa segunda vez, o mesmo golpe, nunca dá certo. Pelo contrário.
Seres humanos, guiados pelo instinto vingativo, contra-atacam. Um contra-tapa.
E o agressor retorna, acuado. Surpreendido.
E o agredido, satisfeito, ou volta ao caminho que seguia, ou começa a traçar outro: o de agressor.


Embasado nisso, volto a falar de passado. Quando paramos pra analisar, estamos num nível diferente do que éramos a princípio (agredido/agressor) tendemos a consertar erros.

E daí, tudo é relativo.

Ou choram por fracassos, e lamuriam, culpando o passado, ou excitam-se com o que tem, lembrando de como eram fracos no passado.

E como eu disse, é tudo relativo. Não há certo, nem errado. Há, sim, julgamentos.

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