Alguns passos

O que estou fazendo aqui?
Sozinho, noite, a praça escura, quase ninguém, apenas algumas vozes. Cãimbras, pernas fracas, braços no limite... força física aparentemente esgotada. Mas algo dentro de mim, quer terminar aquela série de controle. Algo dentro de mim é contra qualquer tipo de derrota. De alguma forma, pareço ter a força que gastei.
Ainda tenho ânimo pra chegar ao outro lado, e terminar como uma corrida.
A última corrida.
Última e gloriosa.

Todos os dias praticamente repito isso. Seja aqui, na praça, ou em qualquer outro lugar.
Ninguém me obriga. Não pago ninguém. Ninguém me paga. Ninguém grita ou implora. Muito menos eu.
Rigorosamente, já levantei cedo, corri na subida, desci na corrida, ergui meu próprio peso, e pesei tudo aquilo que posso ter construído há anos. Pesei e pensei em.
Eu desejo manter. Eu posso manter. Nem é tão complicado.
Mas todos temos ambições. E queremos estar níveis acima ao que desejávamos anteriormente.
O tempo não é desculpa, dor não é desculpa, destino então... nesse mundo, quem chora pensando em destino, ganha uma corda, e um banco bambo. A pessoa sabe o que fazer, e deixa o destino fazer o resto.
Ninguém pode ser fraco. Um sinal de fraqueza, é um sinal de "treine mais".


E eu me lembro. Eu sei o que faço aqui.

Meus braços, parcialmente recuperados. Minhas pernas um pouco menos tensas.
Um reset na mente, e não tou olhando pro nada. Agora, eu tenho foco.
E meu foco, é uma visão afiada. Levanto, e recomeço de onde eu parei...
... até as pernas cansarem, os braços esgotarem, e eu me sentir completamente vivo.

Duas pessoas que fazem o dia render

Costuro os segundos,
ministro a dose de minutos,
construo horas,
Sou presidente de um dia.

Aqui, posso falhar,
posso testar,
posso pensar,
posso descansar.

Pernas, braços;
velocidade e força,
pra agir em cada ato,
pra concluir cada coisa.

Pensar, faz o dia seguinte andar.
Agir, faz o dia presente surgir.

Gente parada,
Nada dá em nada.
Vê-se um ano passar,
e você tá correndo no mesmo lugar.

Qual é a sua luta?
Pra que você vive?
Beijo em final de labuta,
ou migalha de ourive?

Cego, parvo, olha a sua volta:
"Quanta gente idiota!".
Você diz, 
Mas tá devendo pra amigo agiota.

Tropeçar nas pedras,
cair em espinhos,
rolar sobre cobras,
se perder em vários
caminhos.

O que vale?

Tempo planejado,
vulgo desperdiçado?
Ou agir constantemente,
todo errado?

Vivo o fluxo,
sigo contra-fluxo,
sangue corre sem luxo,
de meu coração, ainda escuto,
o pulso.

Rosto estragado,
de quem acorda cedo
demais,
iludido,
ferrado,
almejando a paz.

Não se desiste,
na vida se insiste,
mesmo que a liberdade,
seja vendida por maldade.

Aqui

O avesso ao que criam, vive sendo o menos conivente possível com tendências que plastificam.
Segue-se numa estrada repleta de pedras, picaretas, e torpes, com propósitos tão inúteis. Poucos visam a utilidade, a maneira mais rápida e coerente. A maneira menos cômoda, porém, eficiente.
O enigma que parece fácil. Mas sem propósito, nunca será desvendado.

Ver o erro dos que tropeçam, e identificar cada pedregulho.
Agir e pensar, mas nunca deixar o impulso levar a vida.


E disso, tiro minha essência.
Áspera e urbana. Calma e natural.
Aguçando o instinto, camuflado entre multidões.

Coisas que eu não contei

4:30, tudo escuro, tudo quieto.
Cortando o silêncio, berra o despertador
e eu, desperto.
Atento, um pouco sonolento,
Levanto e me preparo,
O café, esquento;
E o frio, encaro.

É uma quarta-feira,
fria, escura, preparando-se para nascer.
Resto da noite, dá forças à sombra que se esgueira,
E o dia, ânimo, ao que deseja se fortalecer.

A porta abro. O vento corta meu rosto,
Como quem ameaça:
- Mais um passo para fora, e teus dedos tornam-se frios como o de um morto!
Ignoro. É a vida de quem vive na raça.
De quem passa, transpassa,
Corre, salta, e nunca morre.

Mas não é esse meu foco.


Corro. 30 minutos até o destino.
De escura, a visão torna-se azul. 
O vento vai ficando fino,
O dia vai correndo, e a liberdade flui.

Chego.

Lá, o silêncio, pouco a pouco, se esvai.
Algumas pessoas correndo,
Alguns carros se movendo,
Ofegante, ar entra, ar sai.


No pequeno labirinto,
executo alguns movimentos,
Enquanto, 
livro-me da extensa corrente,
Acompanhada de sua bola de ferro.

Um raio de luz quase me cega,
O sol nascendo, e minha alma sossega.
É dia. 6:30 da manhã.
O dia começa., a responsabilidade me pega

Volto para casa, me preparo.
É, mais um dia de trabalho.
Torno disso um hábito,
E o dia passa mais rápido.

Pessoas que sumiram,
pessoas que se foram.
Desde o inicio avisei,
Que corro atrás do que sempre sonhei.

Liberdade, paz
Por isso, nem ligo.
Deixo tudo pra trás.
E sigo.

Sem titulo

Mal se dorme. Levanta-se, debilitado.
É a dor. Que nem se compara à dor física.
Ambas, ínfimas.

Como derrubar-se-ia uma torre construída com determinação?
Enfraquecendo-a.
E é isso. Várias derrotas.

Perco o que mais amo. O tempo.
É o tempo que me castiga. Mas é o tempo que me anima.
Ter a tarde para fitar o sol, e sorrir feito um tolo.
É isso. Esse é meu ouro.
A natureza. O tempo. O sol.

E me tiraram o tempo. Logo após, perdi minha liberdade.
Eu já não podia mais sentir o animal dentro de mim, solto.

E começava.


É sempre a mesma rotina. Acordar cedo, correr, pegar um ônibus.
Dentro do ônibus, costumo ter minhas reflexões. Mas não é o que tem acontecido.
Dentro do ônibus, imagino, crio, sonho... situações de liberdade. Correr. Saltar.
Escalar a montanha e, num penhasco, com vista para um oceano, o sol emerge, e só se vê um vulto num pico, com o sol na face.
Esbarram em mim. Preciso dar sinal, e sair.
Caminhar até a estação de trem, uma estação, e estou chegando. Chegando ao momento em que não há açoite, nem correntes. Mas uma grande coleira escrita "escravo moderno".
Ali na estação, fito as nuvens, com aspeto de areia amassada. E o sol, tímido.
Aquela pouca luz me anima. Me tira um leve sorriso no canto da boca. Esperança que reluz, como uma pequena bola de fogo. Ainda tenho chances de recuperar minha liberdade, assim como o sol, que nasce todos os dias, e mesmo que o cubram, ele tenta ser visto.

O trem chega. Caminho cheio de pensamentos.
Nenhum aproveitável. Nenhum realmente aproveitável.
As horas passam. Fim do expediente.
É noite. Está tudo escuro.
Já não vejo motivos pra ser liberto. Se o dia me inspira, a noite tem o propósito de me descansar.

E então, estou preso à um novo dilema.

Tê-tempo

Tenho perdido meus interesses. Tenho apenas pensado em me bastar. Em me preencher.
Muitas das coisas que quis, que almejei, planejei e não consegui conquistar por desistência/incompetência, hoje, não me fazem muita diferença. Não faz mais sentido.
Eu tenho levado tudo de uma maneira tão condicionada á rotina. Tão automática.

Perdi minha vontade de explorar. Perdi muita vontade de chegar á limites.

Acho que é em detrimento á alguns choques de realidade. De como o tempo tem passado pra mim.
Batidas fortes em meu ouvido. Algumas, nostálgicas. O vento, o cheiro, o céu, a chuva, o sol e sons.
O passado se torna uma raiz tão forte, mas tão forte que, mesmo com o tempo passando de maneira acelerada, se aprofunda brutalmente.
Lembro de dias inesquecíveis. De cada cenário, cada ação, cada palavra. Das pessoas com quem convivi: de 15 minutos conversando até amigos de longas datas.
Claro que não posso dizer que minha vida é completamente feita apenas de conquistas. Nada mais óbvio.
Acontece que, o pouco que me fez falhar, ergueu-me à vitorias incomensuráveis.

É diferente, quando sua guarda se abre pela primeira vez para tapas.
Numa segunda vez, o mesmo golpe, nunca dá certo. Pelo contrário.
Seres humanos, guiados pelo instinto vingativo, contra-atacam. Um contra-tapa.
E o agressor retorna, acuado. Surpreendido.
E o agredido, satisfeito, ou volta ao caminho que seguia, ou começa a traçar outro: o de agressor.


Embasado nisso, volto a falar de passado. Quando paramos pra analisar, estamos num nível diferente do que éramos a princípio (agredido/agressor) tendemos a consertar erros.

E daí, tudo é relativo.

Ou choram por fracassos, e lamuriam, culpando o passado, ou excitam-se com o que tem, lembrando de como eram fracos no passado.

E como eu disse, é tudo relativo. Não há certo, nem errado. Há, sim, julgamentos.

Voltando

É incrível a maneira como, após superar diversos tipos de obstáculos - físicos e mentais -, quando retorna-se ao fluxo (lento), se é sugado de uma maneira surpreendente, obrigando-nos a retomarmos nosso antigo ritmo.
O ciclo da vida torna-se apenas um mito, e experiências ficam intensas como um vortex, que puxa tudo à sua volta, para dentro de si.

E é o que desejo. Quero experiências.
Quero puxá-las a mim, assim como me puxam à elas.
Assim como ferem, sabendo que serão conquistadas, mas nem sempre compreendidas.

A dor, passa. O sangue, reponho. A pele, cicatriza.
Chances são únicas. Oportunidades são únicas.
Outras coisas esvaem-se para nunca mais retornarem. São os momentos que deixamos passar, que temos medo de experienciar.

É uma lástima. Eu percebo que cada vez mais, estou longe de atingir meu limite. E em parte, fico feliz.
Fico feliz em saber que meu "máximo", não se resume à uma derrota. Que meu desejo, e minha ambição são prioridades.



Dimensões diferentes num mesmo cenário. Soa interessante, não?
Bom é saber que, apesar do solo ser pisado todos os dias, os passos são dados de maneiras diferentes.
Assim como transformar um habitat tedioso/repetitivo em outra dimensão, estando no mesmo lugar. A criatividade expira nesses momentos.

É relativo? É.
Mas quanto a questão de ser algo COMPLETAMENTE pessoal, não. A capacidade é a mesma.
Depende do quanto se esforça pra não cair no tédio, nem se conformar. Depende, o quanto se está disposto a viver de derrotas automáticas.

"E é do que muitas pessoas vivem e morrem;
Sem mente liberta, uma porta se fecha.
Pra cada sonho, abre-se uma brecha,
e repara-se que tal porta,
sempre esteve aberta."



Brutalidade

Ex3:44 AM.
Estou de "férias". Uma semana e meia, livre.
Poderia estar dormindo, e só acordar as 13:00 horas. Poderia ficar a essa hora jogando conversa fora, com meus contatos embriagados - de sono e, talvez, álcool - e perder a madrugada com conversas que seriam lembradas posteriormente como pretexto pra outra conversa pós-tédio. Enfim, irrelevante. Prolixo.



3:46 AM
O que realmente importa, é a queimação que sinto em minhas panturrilhas, canelas, e braços; a dor que sinto em meu abdômen. Soa como uma surra.
E realmente. Uma bela de uma surra. Uma surra no que é cômodo.
Me sinto vivo. Eu consigo sorrir, aumento o som em meus fones, e parto pra mais uma série de 20 barras com os braços abertos, pra seguir com mais 35 abdominais suspenso na barra, segurando uma mochila cheia de livros contra meu peito.


3:53 AM
Termino. Exausto. Tudo queima. É meu corpo mostrando que ainda vive.
Mas não paro. 30 agachamentos com um botijão de gás vazio nos trapézios. 4 séries de 30 fortalecimento pra panturrilha e canela. 30 panturrilha; começa a beliscar. 30 canela; começa a arder. Mais 30 panturrilha; começa  a queimar. 30 canela; começa a travar. 30 panturrilha; queima. 30 canela; dificuldade pra erguer os dedos em direção ao tornozelo. Finalmente, 30 panturrilha; ardência e dificuldade na 25, mas eu consigo terminar. Últimas 30 de canela; ardência na 15ª, eu suporto. Dificuldade na 20ª, eu mantenho. Mesmo não erguendo ao máximo, pois, minha canela trava, eu forço até a 27ª. 10 segundos pra relaxar, e faço mais 6, pra compensar as últimas 3, que foram ruins.

4:00 AM
Finalizo com um pouco de barras, e abdominais.
Parto pro descanso. Bebo água. Meço a glicemia. Tá boa, mas se quero treinar mais, e ficar vivo, vou ter que ingerir açúcar. Um porre. Não quero comer nada.
Metade de café, metade de chocolate, 1 colher de açúcar. Tomo com leite. Meu estômago pesa.
Alguns minutos descansando, enquanto escrevo esse post.

4:05 AM
Estômago pesando menos, descansado, hora de mais barras, abdominais e agachamentos.
Começo a perder força na 17ª barra. Cada vez mais fraco, tento alcançar a 25ª. Na 22ª eu sinto que não vai dar. Sem soltar, fico na posição inicial, subo com explosão, e desço devagar. Coloquei minha força nessas 3 últimas.
Fiz os abdominais sem o peso adicional, pois, estava sem força nos braços pra segurar a mochila. Aumentei pra 60. Cumpri, me esforçando a partir do 35º. Zonzo, no 50º, me sentia sem ar. Forcei até o 55º e parei pra respirar. O abdômen queimava, mesmo em posição de repouso. Forcei 10, pra compensar os 5 malfeitos.

4:12 AM
Tomou mais tempo do que eu esperava.
Sentindo as pernas ainda queimando, tirei o peso adicional do botijão de gás e aumentei 1/3 das repetições. Completei os agachamentos sem travar, apenas sentindo a queimação.
Mas a história foi outra para as panturrilhas e canelas. Comecei fazendo 25 de cada.
Canela, com dificuldade, falhei na 20ª. Repouso, paguei as 10, e compensei com mais 10. Falhei na quinta.
Descansei 2 minutos e recomecei. 25 completas, com um pouco de dificuldade. Dói.


4:23 AM
Termino as séries.
Descanso.

4:29 AM
Passam algumas dores. Apenas as canelas queimam.
Braços não pesam mais, abdômen não dói, apenas pernas cansadas.
O resultado foi bom. Considero 6 de 10.


E você me pergunta: "...pra quê isso?"
Viva como eu vivo. Sinta como eu sinto. Fracasse como eu fracassei. Sofra como eu sofri.
Você vai entender. Não é a dor, nem o sucesso.
Mas entender que, mesmo mais fraco, a mente continua forte.
Não é a sede de alcançar o sucesso. Não é o vício em endorfina.

É se preparar. É manter a situação sempre ao teu alcance.
Nada precisa ser bonito, quando se é útil.
Uma furadeira faz muito barulho, e não tem um aspecto de bichinho de pelúcia. Mas temos uma em casa, pois, precisamos delas.
Suportar a dor, fortalecer-se, aumentar limites, e fazer a tua mente captar tudo isso. O preço cobrado pode ser completamente inferior ao valor real. Mas a ambição é sempre maior, e acaba com muitos valores.

Apenas por causa da dor.

Eu me preparo. Me preparo pra diminuir os fracassos. Pra diminuir a dor. Pra não senti-la, se possível.
E você? Como você se prepara?

Sonhando e Doendo

"Dreams are still alive
They don’t ever die
Close your eyes and imagine it right now
We got to keep dreaming we giving life meaning
Staying clear of the lies

Pela primeira vez, num dia destes, senti o ímpeto rugir forte no meu peito. Era hora de mudança. Era hora de sair daquilo que me prendia ao que chamo de rotina.
Como eu não havia percebido? O que eu amava, o que tinha feito eu mudar drasticamente, o que me tornara uma nova pessoa... virando rotina.
Me sentia parado. Talvez infeliz. E não sabia o porquê. O motivo na minha frente.
Algo tinha um cheiro diferente, um som diferente. E eu me perguntava todos os dias o porque de um vazio, mesmo eu fazendo o que tanto gostava.

Eis que, como citei no início, o ímpeto rugiu. Estava sentado, de cabeça baixa, pensando.
Diversos nós em minha mente, pensamentos, idéias e conflitos. Tudo cessou.
Não havia som, não havia imagem. E eu me ouvi no pensamento: "É isso que você quer?".

Levantei. E disse: "Tou indo agora. Não me importo com horário. Se quiser ir junto, bora. Senão, volta pra tua casa, e vai pro teu rolê."
Eu me via na figura esguia, perdida, levantando hesitante. Logo em seguida, um fio de esperança. E os olhos, atentos.

Poderia ter ficado o resto do dia ali, sentado. Poderia ter levantado, e ido pra casa. Mas nada disso iria curar meu estado miserável.

Um novo lugar. Idéias novas, vazios pra preencher, medos a perder. 
A experiência é recente, e vai suscitar muitas idéias para os próximos posts. No entanto, talvez só conclua de uma maneira mais completa, no ultimo post.
Idéias e sonhos têm tendências diferentes. Mas é o que desejo para os próximos tempos.
Mesmo cinzenta, a visão panorâmica é bonita.
Mesmo de aspecto abandonado, os ângulos tornam o local diferente.
E mesmo eu tendo me preparado pra diversas situações, me sinto desafiado a criar, e agir no local.

E é exatamente o que vou fazer. Ali, pra cada esforço, pra cada machucado, a perseverança vai arder em cada um dos meus calos.
Meus sonhos e idéias, não morrerão. E serão tão reais, quanto o muro que rasga minhas mãos, e os espinhos da pequena árvore que arranhou minhas costas.

[Pretendo colocar a foto do local. Mas ainda não tive a oportunidade de tirá-la.]

Quando você se move...

Um passo muda tudo.

Um passo em direção ao que é novo.
Um passo a desafiar, sem escudo.
Um passo desequilibra na corda bamba,

Vale tanto o esforço?
Quanto pagam ao colosso,
pra te prender num calabouço.
Não paro. Mudo tudo num passo.

Sem fim, em mim
Cada passo,
num ritmo, como numa dança
compasso.

O coração acelera,
a respiração altera,
eu continuo, eu corro
dói, sangra, não peço socorro.

E pra quê?
Qual a finalidade?
Se, em tudo aquilo que se crê,
Expira com o passar da idade,

Que passa, e passa o tempo
A cada passo, cada compasso
Te fortalece, você cresce
Tempo perdido? Sofrido?

É o que dizem, mas

Pra cada passo que dariam,
Estão berrando, gritando, chorando,
Pra cada tempo que ganhariam,
Passam lamuriando, temendo, sofrendo...

... e um passo, tudo teria mudado.
Lágrimas não teriam derramado,
O choro seria cessado,
Esquecido com o passado.

Pra cada passo,
Um valor atribuído,
Um movimento impelido,
Um desafio vencido.

E o tempo passa,
pra cada passo, passado,
Tudo fica mais complicado
quando quem se mexe, vira caça.

Paralisado de medo, um passo resolve.
Fumaça te prende, um passo dispersa.
Veneno acumula, um passo dissolve.
Acelere o passo, caminhe com pressa.

Nem o mundo pára de girar,
Por que você pára de caminhar?
Se nem os animais livres têm motivos pra parar,
por que você hesita ao caminhar?

Pregos, sem generalizar.

Tudo faz parte de um espetáculo. (Más)caras tristes e animadas.
Neste momento, sou espectador. Nada sei. Qualquer tentativa de contato, é frustrada com um choro alto, de medo. As mãos se voltam, e tentam mostrar o que se passa.
Rostos sem máscaras, narram histórias, criam idiomas. Tudo se desenvolve.
Agora, somos parte da história.

Algumas máscaras caem. Outras, surgem.
Começa a minha.
Rostos sem máscaras, com expressões que variam em tempo real. Estes, são os que me ensinam e guiam.
Mostram parte do script, palpitam, riem, e contam diversos finais alternativos.

Surgem os rostos com máscaras. Tristes e sorridentes. Mentirosos e falsos mártires.

Oferecem-se para pintar uma máscara nova. Máscara, que seria a minha.
Recuso. Viram as costas, vociferam maldições.

E eu fico só. Só, por muito tempo.
Só, por tempo suficiente. Só, um tempo.
Tempo aquele, que parece eterno, já que, não há data específica para o fim.
O tempo passa. Algo novo se aproxima...

Um ser que anda corcunda, e corre manco, sussurra:

 - "Psiu! As máscaras são artifícios. As máscaras são uma sociedade. As máscaras tornam-te anônimo.
Sem máscaras, eles te vêem. Não querem o único. Eles querem todos iguais."
 
E parte, como veio. Corcunda, e mancando numa velocidade acima do normal.
Outro, voando torto (asa direita, perfeita. Esquerda; defeituosa, reconstruída a partir de arames), um sorriso quebrado, e com o olho direito costurado, sugere:

- "Pois sim! Máscaras são necessárias.Você não precisa ser uma máscara. Ela apenas cobre teu rosto, tira as tuas expressões. Mas o que vai cobrir o que há na tua mente? O que vai esconder o teu coração?
Deixe que o mundo gire, mas você não é obrigado a andar por aí, dando piruetas e saltos mortais...
 
Eis que surge um acrobata, e indignado, interrompe o pequeno anjo com asa de cobre:
 
- "Piruetas e saltos mortais não são comuns como máscaras, torpe. Uma sociedade impele-te a ficar com os pés no chão, cria contos sobre um tal de "impossível", e amaldiçoam a todos aqueles que são capazes de libertarem-se da gravidade e do medo imposto."

Por mais exagerado que fosse, o acrobata tinha razão. O pequeno voador tentou explicar:

- "Acrobata, não foi uma comparação direta com o fator comum x único. Apenas evidenciei que, apesar da sociedade andar num certo ritmo, você não precisa acompanhá-los."
 
- "Compreendo. Mas imagine se eu, numa comparação estética, usasse o vôo como um exemplo banal. Com certeza, você ficaria ofendido, certo?" - Respondeu o acrobata.

O pequeno assentiu com a cabeça.
Contudo, ambos continuaram a discussão. Discussão aquela, que levou mais algum tempo.
 
E eu já estava esvaindo para outro cenário, levemente, lentamente...



Relato de confusão

Tudo tão rápido. Algumas coisas, até demais. Fiquei confuso, não fiquei, fiquei de novo.

Engraçado... velocidade, agir constantemente. Isso torna-se completamente abstrato, quando tua mente não foca em nada. Quando ela simplesmente controla o corpo como nos livros de ciências.

Mas quando você se liberta de calçadas, regras e inibidores, tudo aquilo se torna parte do treino que a sua mente se compromete a treinar.
E você só quer alcançar, só quer condicionar corpo e mente, para chegar em resultados.
Agora, temos noções. Liberdade, força e agilidade. Seu ponto é criar. Seu foco é o mesmo: desafiar, quebrar padrões.

Você escolhe um lugar, e define pontos do mesmo, para criar.
Anseia pelo fim de compromissos, para chegar ali e libertar-se de padrões. Ali, você cria, você escolhe.
Chama amigos, e mostra caminhos. Mostra caminhos, eles seguem. Alguns, desertam. A caminhada é pra todos, mas o caminho é longo.
O novo, se torna velho. O desafio, se torna parte de um treino simples. Rotina.

Você cansa. Não há novidades. Mas não desiste dos que eram desafios.
"Esse lugar está saturado". E o tédio domina.
Nada de novo. "O que fazer?"
E busca um novo lugar.

Desafio maior do que adrenalinas? Achar esse lugar.

Tempo. Treina, tempo, treina. Lugar novo. Tudo se repete.
O novo, se torna velho. E o desafio, rotina. Você cansa. Mas você quer.
Stress e tédio.
"Minha casa é confortável".
A mente luta, se rasga, quer chamar atenção. E tempo se passa.
Seu corpo decai. Sua mente apodrece.
E você se pega naquele antigo calabouço, agora, com correntes. Os que te prendiam antes, não temiam que você fugisse. Agora, você se dá conta... como fugir?

Do primeiro ponto, partimos. Mente lutando pra se fortalecer, assim como o corpo.
Chegamos ao ponto.

Mesmo lugar. Criatividade. Criar entusiasmo.
Aos poucos você vira passado.
E Eu, agora, me recomponho.


Mesmo lugar, novas idéias. Eu devo.
E eu... recupero.

Advém, Sofrimento.

5 minutos. Acordar cedo, não dormir, fome, cansaço.
Tudo relativo.
Mas sabe? Cansei desse conceito de "relativo".
O que é relativo, também é usado como desculpa. É como calça de palhaço; serve pra fazer graça, mas não serve em ninguém.

As pessoas; alguns vivem de emoção, choram, emocionam-se, choram de novo. Até entendo. Acho válido.
Mas uma coisa que não tolero, é a pessoa querer estampar no teu rosto que ela está sofrendo. Te obrigar a sentir pena, a chorar junto, e dizer palavras suaves feito travesseiro de pluma de ganso.
É aceitável, num breve momento, sentir pena. Sentir pena, como instinto. Sentir pena automaticamente.
Mas pena fingida, choro chorado por chorar, e tudo falso? Uma sociedade tolerante, fingindo humildade?
Povo cosmopolitano hipócrita, que abraça velhos conceitos moralistas, e ainda chora? Pára!
É isso que chamam de evolução? De revolução?
Nossos rebeldes sem causa, perdidos num mundo liberalista? Ah, não!

E as pessoas ainda falam de sofrimento, como se abraçassem causas. Como se fossem embaixadores da ONU.
"Você não tem coração?"
Não. Eu ironizo a tristeza. Eu dou risada da minha condição deplorável. Mas JAMAIS perco a postura diante da miséria. Jamais vou derramar uma lágrima perante à desgraça.
Pois, que soldado chora quando mata um homem?
Ninguém chora, mesmo cometendo os piores atos.
"Mas eles não sofrem."
Não, colega?
Pra quê o soldado mata? Foi obrigado por um líder que sequer dá as caras no campo de batalha.
O soldado pode ter família, filhos, mãe e uma mulher pra sustentar. Mas ele tem que matar, pois, alguém tem que matar pelo líder.
A diferença, é como você leva isso adiante. Você vai chorar toda vez que tocar a mesma música?
Que subir as mesmas escadas?
Chorar eternamente por algo, ou alguém, que sequer se importa com a tua mera existência?

Não.

Não leva a nada. Sofrimento é pra se transformar em cicatriz.
A cicatriz dói tanto quanto uma pancada a seco em pele saudável.
"Não explica nada. Eu sofro, eu choro."
Ah, sim. Nem tudo que advém de sofrimento é desgraça.
Você nasceu de sangue e dor, mas muitas pessoas sorriram por ti e pela tua mãe. Ninguém ficou lamentando pelo sangue e dor. Ninguém ficou: "Coitada... teve um bebê. Quanto sofrimento! Ó, céus!"
Sua mãe sofreu, e você saiu chorando.

Eu ainda tento explicar. Eu ainda tento raciocinar, ligar razão à um mínimo de emoção. Mas as pessoas sofrem pelo que é abstrato. Não têm palavras pra explicar, mas têm lágrimas pra derramar.

Então, penso eu;
"Será eu que não sei viver, ou os outros, que vivem em prol de se lamentar?"

Tornado

Após algum tempo de aventuras, novidades, dias novos, novas experiências, fui forçado a parar.
Uma corrente enferrujada, uma engrenagem acabada.
Forçado a me analisar. Era hora de parar a máquina corpo. Hora de polir as peças, de revisar tudo. Fruto de muito esforço, algumas cicatrizes nunca somem, porém, são algumas que nos fazem fraquejar; que nos fazem rastejar perante ao imprevisto. Dores já sentidas uma vez, que já não fazem tanto efeito; mas que ainda dóem.
Um tempo parado. Eu via o sol sorrindo, os pássaros voando, a inspiração e a liberdade brincando... e eu, atrás daquela janela, atrás daquelas grades, enferrujado.

Comecei a cuidar da máquina. Mantinha, trabalhava, reconstruía, e reanalisava.
Fortalecia a velha corrente. Reconstruía boa engrenagem. E, pouco a pouco, via resultados.
Disposição voltando, e eu sentia-me impelido a testar o básico. A relembrar do momentos de conquista, a rever técnicas, e por fim, testar a força que o tempo me presenteou.



                                                                                                               Foi leve. Só um susto.
Olha-se pra frente,
recomeça-se.

Coragem por Oxigênio

Momento da verdade. Agora, ou daqui muito tempo.
O que você faz?
Medita? Reza? Ora? Grita? Pára pra pensar? Ensaia?

Aprendi que, em muitos momentos de pressão, não teremos tempo pra dizer a razão para controlar a emoção.
E então, ou você desiste, ou você falha.
Ninguém te espera pensar muito, pra dizer "sim" ou "não". O penhasco que se quebra não espera você decidir se pula, ou corre. A bala não pára no trajeto, para você escolher se devia pra esquerdar, ou pra direita.

É onde quero chegar.
Recentemente, descobri algo que me incomoda num momento de pressão. É redondo feito uma esfera, pesa um pouco, deve ter cor branca, ser tão espessa quanto névoa, e se aloja no centro do meu peito.
E aquilo me dá receio, me dá medo. Faz com que eu retroceda, ou fique paralisado.
Se eu parar pra analisar, pra me decidir, isso vai tomar muito tempo, e hesitarei.

Então, resolvi, descobri.
Respiração. Pois, sim! Respiração!
Não se troca oxigênio por dióxido de carbono?
Pois bem! Troquemos respiração, por coragem. Do teu nariz, até teus pulmões. É a coragem que você inala. Que dissipa a esfera!
Encaro com firmeza, inspiro; enquanto o oxigênio entra, imagino a situação acontecendo mil vezes. Expiro; a esfera redonda sai junto ao dióxido de carbono.
Assim, retomo minha coragem, e executo sem hesitar. Mesmo que eu erre, sei contornar a situação, e raramente me machuco.

Contudo, porém, todavia, é algo pessoal, e nem sempre pode dar certo.
De qualquer maneira, agora é algo indispensável em minha vida.
Por mais que a esfera torne-se cada vez maior, meu corpo se adapta. E se expande.

Não há muito tempo. Ou você desiste na hora, ou tenta.
Não se perde tempo para desistir.
Não se desiste, quando se tem tempo.

La calle solitaria & El tiempo de los sueños

O que é o infinito pra quem sonha? 1 minuto pra quem sonha?

Me dei conta que, sonhar, é viver em outra dimensão. É como viver numa fábula. É ler o livro de contos, em que um conto se passa num mundo de dragões, e outro, num era pós-moderna, com carros que voam e pessoas que plantam árvores.

Mas, você pode dormir por 8 horas, e estar numa dimensão em que o tempo passa muito rápido, acordando assim, como se tivesse dormido por 10 segundos.
E aquele cochilo de 30 minutos, que parece eterno. Aquele sonho que não acaba.
Pesadelos também fazem parte. Eu já não acordo mais de pesadelos. Talvez, por questão de querer resolver todos meus impasses, meu eu-outra-dimensão, espelhou-se naquilo que sou.
E não acordo mais de pesadelos, por piores que eles sejam.

É o cara bizarro batendo com uma marreta na minha porta, e eu luto. Mesmo fadado ao fracasso, caído após uma luta, e ainda consciente, parece que nem sinto dor. Mas sangro. E mesmo caído e sangrando, ainda assisto a tudo. Já não faço parte do pesadelo, mas ainda estou ali, assistindo a cada quadro do que é falhar em outra dimensão.

E tem os sonhos universais. Conquistas que já conquistamos. Conquistas que ainda não conquistamos, mas é aquele sonho que nos inspira a lutar por elas. Sonhos possíveis, mas que o medo nos barra.
Funciona aqui, e lá.

Minha mente tem um vale.
O vale na minha mente. Vale que eu corro, tenho belas visões, quero explorar todos os cantos possíveis ("todos"; o que é praticamente impossível, pois, aparentemente, minha mente é infinita).
Rochedos, florestas, praias, ilhas desertas, desertos, cidades perdidas.
Não há perigos. Eu faço tudo. Eu aprendo, sem medo. Eu não me machuco. E se me machuco, tento de novo.


O melhor sonho, é aquele que não tem pessoas. É a solitude, caminhando na cidade solitária, pelas ruas silencioas.

Repetidos sonhos com aquele Vale, e com aquela cidade e suas ruas.  

Mas a cidade é a mais curiosa, pois, ali o tempo não passa. E tenho liberdade.
Ruas vazias, ladeiras de ladrilhos. Quando chove ali, as gotas parecem lágrimas. Tudo fica cinza.
Mas não é feio, nem triste.
É um cinza que inspira a pensar. Refletir. Olhar pra cada canto, e ver um detalhe monocromático.
Nostálgico. Confesso.
Transfiro-me.

E vejo montanhas, nuvens brancas em formatos a la déjà vu, céu azul. Escalo, sem hesitar. Por mais alto que seja, tenho vontade de explorar.
O Vale me revela que, atrás daquela montanha, há um penhasco. Um penhasco que me permite enxergar toda amplitude de um oceano vazio, porém, profundo.
E a circunferência da Terra, que não é a Terra.
Aquele monte d'água, implora por uma quebra de rotina. Por um beijo na calmaria, por um caos de poucos segundos.

Na verdade, justifico minha vontade. Vontade de ser engolido por aquele vasto azul.

A vontade de mergulhar grita, incessantemente. Meu coração bate mais forte. 30 segundos encarando, e tudo vai ficando mais intenso.
Um silêncio
Respiro fundo, e corro. Um salto. Meu corpo se molda á velocidade e ao vento.
Pouco a pouco, a visão vai se transformando.
O azul do céu, e o branco das nuvens, sobe. Sobe, também, o azul do mar, que toma completamente o lugar do céu.
Sinto o vento contornar meu corpo cada vez mais forte. E tudo vai ficando mais rápido.
A ponta de meu dedo médio, toca o mar...

...e eu, subitamente, acordo.
5:30. O dia começa na outra dimensão.
Bom dia.

É. Acho que voltou.

Sei lá, tanto tempo.
Eu só pensava em aprimorar meu talento, só.
Mas dessa vez, é diferente. Não me sinto ansioso, e quero. Mas não anseio por.
Queria mergulhar de cabeça, mas mal te conheço.
Criado pela razão, mente de quem pensa.
Enquanto vejo-te, desapareço.
Nada sobra, nada consta.
Constantemente.

E qual é o plano do que age? E qual é o plano do que se ilude?
E fico confuso. Sim,é algo que se divide.
Eu me divido.
Constantemente.

Eu quero. Com todas as palavras, direitos, ações, razões, deveres, e toques. Principalmente eles.
Tudo constante. É sempre a mesma música. E eu não enjoo.
Mas eu quero conhecer. Eu quero saber. Quero uma queda, seja ela real, ou ilusória.

Todos os dias.
Constante.

Tá?

Sim, você não é tão psicopata quanto parece


Sabe quando você diz que perdeu algo? E quando diz que perdeu alguém?
A palavra, e o sentido é o mesmo. Mas, quando perco um objeto, ainda tenho chances de achá-lo... por que usar essa palavra, quando perde-se alguém querido?

Não é a mesma coisa.

Algumas pessoas, ainda somem de nossas vidas por algum evento/fator invasor.
Eu senti que perdi algumas. Senti que não posso recuperar velhas amizades, velhos amores... porque, nunca mais serão os mesmos. Nunca mais aquele amor nostálgico, irá voltar. Nós quebramos uma vez, e uma vez que você cola os cacos de um vaso com cola, você sempre notará aquela rachadura. Aquela cicatriz.
E tudo fica mais frágil. Teu amor não é mais tão forte, tão resistente. E então, só resta aceitar que perdeu-se um amor.


Eu assumo que tenho um problema. O problema de perder amizades. Não por discussões, brigas. Não.
Pelo contrário... elas se modificam. Ela são atraídas, tentadas, e no fim, cedem à novidades.
Mudam, porque precisam. Adicionam um tempero sem graça, perdem seu sabor único, e tornam-se o arroz gelado, do mês passado.
E o que é ruim, eu simplesmente rejeito. Eu gostava de quando era interessante. De quando tinha novidades, de quando tínhamos gostos a compartilhar, músicas para descobrir, piadas idiotas que nos fazíamos rir, e preocupações.

A vida segue.
E não tenho com quem compartilhar músicas diferentes, não tenho com quem ter conversas diferentes, não tenho com quem bolar ideias divertidas, não tenho alguém pra sentir saudades.


E a parte boa, é que não vou partir corações, deixando assim, saudades.
...já disse, e repito; a morte me quer só.

Random Voices in Moments of Truth

They're in my head, but my conscience is just one. Just like a wave of fishes in a river.
They're random. Never the same. Always different. Everything is a balloon, everything is a rock.
They push, they  turn my courage on.
Here they are;


"Don't look! Don't look!"

"Jump now. Jump now! Don't  hesitate."

"You aren't special, Iron Man. Try again, and don't fail."

"Too late. Go on your own, forget them."

"Look around. Suspicious. Walk. Move fast. Run."

"You did it! You did it!"

"Hah! Feels good. We're happy, now, isn't?"

"The losers. Let them go."

"Go on. Have faith."

"Come on... don't just keep looking. Try it!"

"We're one. I can, you can. Now, make us proud."

"You can't dance. Don't try. Focus on your evolution. Get yourself tough, and fast."

"You're a Warrior. Don't give up."

"Pain is never enough. Move on."

"Man, focus. Focus on your target. Go."

"Wise boy. You're always right. We're so proud."

"Rest now. You're fucking with your limits, dude."

Olhos e Atmosferas

Ouvia músicas, enquanto fazia meus treinos. E me alguns me olhavam. Olhares diferentes, perdidos, tentando buscar explicações.
Treinava, dentro de casa, ouvindo música, quando me perguntaram: "O que é isso que você tá ouvindo?".
Hah!

Ser visto pelos olhos de um estranho.
Mil reflexões a respeito de ações, tentam interpretar movimentos, falas, olhares, tudo, só vendo o que você faz.
Com amigos e familiares, ás vezes, não é diferente.

          "Eu ouço isso, faço aquilo, e gosto disso."
                - Nossa! Mas isso é estranho! Por que você gosta disso?

Mesmo sendo diferente, peculiar, ou até mesmo, bizarro, as pessoas querem argumentos pra prazeres.
Eu fiquei imaginando... como explicar o prazer da solitude, ouvindo música ambiente.
A primeira coisa que vem é: "Música de elevador?"
Não. Imagine sons misturados, como o de vento, risos, pessoas falando, ao mesmo tempo em que batidas repetidas, em ritmos lentos, soam numa sincronia quase perfeita. Agora, imagine a atmosfera pra qual isso te transfere.
É diferente. Imagens não valem mais que mil palavras, e nem cem mil palavras irão explicar a sensação da transferência atmosférica.
E são várias. Caóticas, serenas, agitadas, monocromáticas, depressivas, inspiradoras... tudo depende do que aquilo representa pra você.

E é relativo. As vezes, uma atmosfera mais "trevosa", num dia mais iluminado, é o que deixa o dia neutro.
Por isso, é algo pessoal.

Contudo, alguém teria paciência para ouvir uma explicação dessas? Alguém compreenderia?

Não. Os olhos de um estranho, são formados pelo mesmo. Os estranhos, têm suas respectivas atmosferas, se é que sabem o que elas são e representam.